Escrevo sobre o desejo.
Para não parar de desejar.
Escritora, jornalista e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Nascida em São Luís (MA), em 1989. Como toda millennial, ainda acredita que a internet é um universo que nos convida à criação.
Durante os próximos três encontros, esse recorte da noite não apareceria nas minhas lembranças. Foi o sumiço que fez o recorte voltar e mudar.
Quando Beto foi ao banheiro, o rapaz da mesa ao lado me chamou.
— Olha, desculpa me meter, mana, mas esse cara é um babaca — senti o impacto das palavras.
Machistas não passarão e já não passavam mais nas mesas coladas da Rua Sorocaba, onde heróis gays livravam mocinhas de vilões hétero-tops. Não consegui conter uma espécie de vergonha por estar, afinal, me divertindo com o machista em questão. A interpretação da foto era um jogo que eu também disputara e a implicância de Beto não soava ofensiva para mim. Estava gostando do encontro de verdade, pensando que, numa escala de zero a dez, aquele encontro era um oito ou nove. O dez estando fora do alcance de qualquer homem hétero.